terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Direitos Humanos por Matheus Vasconcelos

Dias atrás recebi um email/desabafo de um policial sobre como devemos nos portar em abordagens feitas pela BM, afirmando que nós cidadãos não podemos criticar suas abordagens, que devemos ficar calados para que o procedimento termine o mais rápido possível e que, em que pese a maioria da população os odiar, as abordagens policiais são para proteger os cidadãos.

Depois de ler tal email, comecei a refletir sobre as notícias que tenho visto sobre condutas policiais recentes, tais como a marcha da maconha em São Paulo, o episódio do campus da USP, o varrimento de drogaditos na Cracolândia, a invasão do pinheirinho, a abordagem contra estudantes negros africanos num ônibus em Porto Alegre e até no último show da Rita Lee, onde a mesma foi encaminhada para uma Delegacia de Polícia.

Os valores que devem ser protegidos estão mudando. A policia está atacando ferozmente pessoas, como se fossem leões atrás de gazelas e, o pior de tudo, com o intuito de proteger o trânsito, o patrimônio público e agora, no caso da invasão do pinheirinho, um patrimônio particular. Ah, e ainda dizem que só estão cumprindo ORDENS.  

Policiais do meu Estado: vocês são responsáveis pelo que chamamos de criminalização secundária. Caso vocês achem errado esses tipos de condutas, basta que não atuem dessa maneira!

O caso da ocupação do Pinheirinho é o legítimo absurdo e o Estado ficou inerte, deitado na cama da incompetência. Onde já se viu desocupar 7 mil pessoas para devolver o terreno de um empresário? Porque o Estado/Juiz simplesmente não foi lá e protegeu um oficial de justiça para que o mesmo cumprisse seu oficio, casa por casa? Eu duvido, ainda, que o empresário precisasse pra ontem do terreno, ao ponto da policia ter que intervir contra 7 mil pessoas daquela maneira. Alias, é bom lembrar que o terreno do nobre empresário estava longe de cumprir sua função social e o que realmente aconteceu foi um despejo militarizado.

Na Cracolândia, onde a maioria da população defendeu a atuação policial e é a favor da internação compulsória, houve varredura de seres humanos. Esses foram jogados para fora com mangueiradas, chutes, empurrões, como se baratas fossem, sem humanismo algum.

Estamos vivendo cada vez mais numa democracia falaciosa, disfarçada de fascismo, onde o Estado faz o que quer com as pessoas e fica por isso mesmo. A atuação da policia está cada vez mais seletivista e monstruosa, até porque são atuações ilegais, visto que se equiparam a tortura, proibida pela Constituição Federal como pena e tipificada no código penal, como crime, é claro!

Estou escrevendo isso como um desabafo! Ainda não sou um Defensor Público e nem possuo condições financeiras próprias para ajudar um pouco o mundo e, por isso, a internet me possibilita de tentar abrir os olhos de pessoas que só possuem um ponto de vista, para que juntos possamos fazer algo, nem que seja assinar petições virtuais.

Por isso peço encarecidamente a ajuda de todos vocês para que assinem a petição virtual e possibilitem a denúncia do caso pinheirinho à corte interamericana de direitos humanos, que analisará o caso e tomará as medidas necessárias para que nosso país não permaneça de braços cruzados.

Para assinar a petição, basta clicar no link:


 Lembrem-se SEMPRE do que Martin Niemöller disse:

"Quando os nazistas levaram os comunistas, eu me calei, porque afinal eu não era comunista. Quando eles prenderam os sociais-democratas, eu me calei, porque, afinal, eu não era social-democrata. Quando eles levaram os sindicalistas, eu não protestei, porque, afinal, eu não era sindicalista. Quando levaram os judeus, eu não protestei, porque eu não era judeu. Quando eles me levaram, não havia mais quem protestasse"

Matheus Vasconcelos, 30/01/2012

Um comentário:

  1. Caro Juliano. Não discordando da tua opinião, nem com a tua preocupação, muito menos querendo servir de advogado de causa alguma, mas apenas trazendo um outro olhar sobre a questão democrática. Têm, as pessoas que tu identificaste como vítimas, respeitado o espaço dos outros, ou seja, agido de forma democrática com os outros? Seriam, os "craques" da cracolândia e os sem teto, exclusivamente vítimas da sociedade? E os infratores de trânsito, até que ponto não andam interferindo com a liberdade dos outros? Se eles não merecem ser trtatados da dorma como são e foram tratados, o que dizer da sociedade que é refém de suas atitudes?

    ResponderExcluir